É ao estar sentada num banco velho, no meio de um jardim que me apercebo que estou completamente sozinha.
Olho à minha volta e não vejo ninguém, nenhum rosto familiar.
É engraçado porque só penso desta forma quando estou triste. Ora porque não quero preocupar ninguém, ora porque não quero chatear ou então porque não me sinto capaz de exprimir o que sinto. Aliás, nem eu sei bem o que sinto...
No trabalho sou um número. Na minha família sou uma distância. No meu círculo de amigos sou a "que está sempre bem" e para o meu namorado sou a "que não tem para onde ir". E a porra é que isso tudo é verdade. Por mais que eu faça o meu melhor diariamente no trabalho, na hora da verdade sou igual a todos - um número. Na minha família, por mais que os tenha perto, eles sabem sempre que volto a ir embora. E isso dói bastante. E se eu acabar com a porra desta distância de uma vez por todas? Será que vale a pena estar tão longe da minha família? Abdicar de tempo de qualidade com eles?
Cada lágrima que me percorre o rosto tem uma mágoa. Uma mágoa provocada por alguém que, querendo ou não querendo, com ou sem intenção, foi capaz de magoar. Vocês sabem lá o que este sorriso esconde. Vocês sabem lá o que eu sinto. Sozinha.
Eu sou forte. Muito forte. Sou capaz de correr este mundo e outro para conseguir o que quero. E neste momento o que eu quero é ser para mim e para quem me quer de verdade.